Seu Marechal, Idoso que ajudou PM baleado na Rocinha, é assassinado pelos bandidos do morro

Marechal socorreu PM baleado, guardou a arma do policial e depois a entregou à PM, foi assassinado pela bandidagem

Aos 70 anos, Antônio Ferreira era bastante conhecido na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Cria da comunidade, há décadas trabalhava realizando reparos em eletrodomésticos, como ferros de passar roupas e ventiladores. Dava jeito até em bicicletas, contam os moradores. Apelidado de “Marechal”, poucos sabiam do seu nome de batismo. Era figura bastante querida na região. Como fazia diariamente, estava em seu ponto de trabalho, o mesmo há cerca de 50 anos, na noite desta quarta-feira — “terminaria de jantar, arrumaria as coisas para, depois, voltar para casa”, segundo parentes. Não voltou. Durante um confronto entre policiais militares e bandidos, Antônio foi atingido no rosto por uma bala e não resistiu. As informações da população são que o Sr. Marechal ajudou o PM baleado, guardou inclusive a arma do policial e depois a entregou aos policiais que estavam em operação na Rocinha. Só depois disso é que Marechal teria sido baleado pelos bandidos do morro em retaliação à ação que fez para ajudar um PM baleado.

A julgar pela quentinha de papel alumínio caída ao lado de seu corpo, o idoso estava no meio da refeição quando foi baleado. Testemunhas contaram que, após a vítima ser atingida, moradores levaram o seu corpo para debaixo da passarela, na entrada da Rocinha, antes de encobri-lo com um lençol branco.

— Quando a notícia da morte dele chegou, meu irmão se surpreendeu, disse que havia acabado de passar no local e falado com ele. Mas ele era assim, com manias: iria terminar de jantar, arrumar as coisinhas dele e só depois voltaria para casa. Mas dessa vez não foi assim. Aconteceu isso (o tiroteio) e ele não voltou — disse uma parente da vítima, que pediu para não ser identificada.

Familiares de Antônio estavam abalados com a perda repentina do idoso. Outros moradores, muitos que o “conheciam desde pequenos”, lamentaram o episódio trágico:

— Ele tratava todo mundo como se fossem filhos dele. É uma dor que não tem explicação a que família deve estar sentido nesse momento, só quem perde sabe o que é. Tinha ele como um avô. Marechal tinha muita experiência de vida — lamentou uma moradora.

O idoso não foi o único morto durante o confronto na Rocinha. O policial militar Felipe Santos de Mesquita também foi baleado no tiroteio. Ferido no Abdômen, ele chegou a ser socorrido e levado por colegas de farda para o Hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, também na Zona Sul, mas morreu na unidade.

De acordo com a PM, o confronto começou quando policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade foram atacados por criminosos armados, no momento em que realizavam um patrulhamento no Largo do Boiadeiro. Houve confronto. Depois, ainda conforme informações da corporação, PMs do Batalhão de Choque foram deslocados para o local onde ocorreu o fogo cruzado. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) também chegou a ser acionado.

Fonte: Jornal Extra




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