Pior ataque da ‘era Macron’ reacende terror na França

ANSA – Um novo ataque reivindicado pelo Estado Islâmico (EI) voltou a assustar a França nesta sexta-feira (23), no pior incidente de inspiração terrorista no país desde a posse do presidente Emmanuel Macron, em maio de 2017.

Ainda pela manhã, Redouane Lakdim, um marroquino de 25 anos e residente em Carcassonne, no sul francês, roubou um carro na cidade, que tem cerca de 46 mil habitantes, feriu o motorista e matou seu passageiro.

Em seguida, disparou contra quatro agentes na rua e feriu um deles no ombro. Por volta de 11h15, Lakdim se dirigiu de carro para um supermercado em Trèbes, a 15 quilômetros de Carcassonne, onde manteve reféns durante várias horas. Dois deles foram assassinados.

Enquanto se barricava na loja, Lakdim declarou ser membro do Estado Islâmico, o que abriu caminho para a reivindicação oficial do grupo terrorista, por meio de sua agência de propaganda, a “Amaq”. “Nosso país sofreu um atentado terrorista islâmico. Todos os meios necessários serão mobilizados para dar respostas”, afirmou Macron.

Em determinado momento, um policial, Arnaud Beltrame, 45 anos, se ofereceu para substituir uma mulher tomada como refém.

Beltrame deixou seu telefone em cima de uma mesa e, por meio do aparelho, os outros agentes ouviram três detonações e decidiram invadir o mercado, matando o suspeito. O policial foi encontrado gravemente ferido.

“Ele salvou vidas e honrou sua farda e nosso país. Ele luta contra a morte, e todos os nossos pensamentos vão para ele e sua família”, disse o presidente. Já Lakdim era ativo em ambientes jihadistas na internet e havia sido condenado por crimes comuns, mas o ministro do Interior da França, Gérard Collomb, disse que as autoridades não viam risco de radicalização.

Também existe a suspeita de que ele tenha viajado à Síria, que recentemente conseguiu retomar os territórios controlados pelo EI, provocando a fuga de combatentes estrangeiros que haviam se juntado ao grupo terrorista. Ao todo, a ação de Lakdim deixou três mortos e 16 feridos, sendo dois em estado grave, incluindo o policial Beltrame.

Desde que Macron assumiu o poder, a França já vivenciou alguns episódios de terrorismo, sendo que o mais grave havia sido a morte por esfaqueamento de duas jovens na principal estação de trens de Marselha. O EI também reivindicou o ato.

Nos últimos anos, no entanto, a França foi o país mais golpeado pelo terrorismo islâmico na União Europeia. A partir de janeiro de 2015, com o massacre na redação do jornal satírico “Charlie Hebdo”, que deixou 12 mortos, os franceses conviveram com uma série de atentados, como os do dia 13 de novembro daquele mesmo ano, com 130 vítimas, e o atropelamento em Nice, em 14 de julho de 2016, com 86.

A Igreja Católica também foi alvo do EI na França, com o degolamento de um padre em pleno altar em Saint-Étienne-du-Rouvray, duas semanas após o ataque em Nice.




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