Oposição começa a validar assinaturas contra Maduro

AFP – A oposição venezuelana começará a validar nesta segunda-feira, 20, as assinaturas para ativar um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro, sob a ameaça de uma acusação de fraude que pode pôr fim a seu plano para afastar o chavista do poder. O processo abre mais uma semana de tensão na já longa crise política na Venezuela, agravada por uma onda de protestos e de saques pela escassez de alimentos, que deixou cinco mortos e centenas de feridos.

A opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) teme que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) atue em favor do governo e bloqueie a ratificação das 1,3 milhão de assinaturas admitidas pelo Tribunal Supremo de Justiça. No sábado, Vicente Bello, delegado da oposição ante o CNE, disse que o órgão rejeitou um pedido para que fosse duplicado o número de máquinas e ampliados os pontos de validação das assinaturas nos municípios onde foram reunidas mais firmas.

Os que deram sua assinatura a favor do referendo contra Maduro devem agora ir a uma das 300 máquinas de registro de digitais instaladas pelo CNE, para validar seu apoio até sexta-feira, prazo fixado pelas autoridades. A oposição calcula que conseguirá validar ao menos 600 mil assinaturas, quase a metade das certificadas, mas o suficiente para seguir com o processo.

Após superar essa etapa, a oposição deverá obter 4 milhões de assinaturas para que se convoque a consulta popular. A MUD quer que o revogatório se realize antes de 11 de janeiro, pois se vencer serão convocadas eleições antecipadas. Mas a oposição corre o risco de ver seus planos sucumbirem em razão de um recurso que o chavismo apresentou ao TSJ denunciando fraude na coleta de assinaturas.

Para o líder opositor Henrique Capriles, uma decisão do TSJ em favor do governo “significaria jogar gasolina” e “aumentar o conflito no país”. Uma pesquisa divulgada pelo instituto Hinterlaces revelou que 74% dos venezuelanos consideram que o diálogo entre o governo e a oposição é a via mais “conveniente” para pôr fim à crise política e econômica no país.




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