Jornalistas são deportados após ficarem detidos na sede do governo venezuelano

Os seis jornalistas da emissora Univision Noticias que ficaram detidos no Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano, foram deportados para os Estados Unidos nesta terça-feira (26). Outro jornalista, Daniel Garrido, desta vez da Telemundo Noticias, que registrava a movimentação no hotel onde os colegas estavam, também foi detido e passou sete horas incomunicável. Ele já foi liberado, mas teve o material confiscado.

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) da Venezuela informou que a equipe de TV foi escoltada até o aeroporto pelo Serviço de Inteligência venezuelano, que os vigiou durante toda a noite no hotel em que estavam hospedados, depois de saírem do palácio presidencial de Miraflores.

Um integrante da equipe publicou vídeo do momento em que iam para o avião. No vídeo, o jornalista Jorge Ramos denuncia que tiveram suas câmeras e o material que tinham gravado “roubado” pelas autoridades chavistas.

A ordem para que eles ficassem retidos no Palácio Miraflores e o material da equipe fosse apreendido partiu do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de acordo com a emissora, a maior rede de televisão hispânica dos Estados Unidos. O chefe de Estado se irritou com as perguntas e um vídeo mostrado pela equipe.

Ramos, um âncora veterano nascido no México, disse em entrevista à emissora que perguntou a Maduro sobre a falta de democracia na Venezuela, a tortura de presos políticos e a crise humanitária do país.

Depois de ver um vídeo de jovens venezuelanos comendo restos de alimentos retirados de um caminhão de lixo, Maduro interrompeu a gravação, mandou confiscar o equipamento e deter os profissionais.

Detenções curtas e deportações se tornaram comuns na Venezuela, especialmente quando repórteres que enfrentam atrasos para conseguir permissões oficiais para trabalhar no país buscam atalhos para exercer a atividade jornalística.

Ao menos sete jornalistas estrangeiros foram presos no país em janeiro depois que o líder da oposição Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino, impondo a Maduro o seu maior desafio político desde que sucedeu a Hugo Chávez no poder. Com informações do G1.




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