Em protesto contra corte de verbas, professores e estudantes marcham amanhã pelo Brasil

A ideia é exigir o cumprimento integral do orçamento da União para manutenção, custeio e investimento nas instituições de ensino superior

Ato será realizado contra corte de verbas linear aplicado pelo Ministério da Educação, sob a orientação de Paulo Guedes, czar liberal da economia

Renato Dias

– Contra o corte linear de 30% no orçamento das instituições federais de ensino superior.

É o que afirma o doutor em Comunicação, professor da Universidade Federal de Goiás [UFG], um ‘enragé’ em 1968, com exílios no Chile, Bélgica e Moçambique, à época da ditadura civil e militar no Brasil, após o golpe de Estado, em 31 de março, primeiro e dois de abril de 1964, Juarez Ferraz de Maia. Com os cortes promovidos pela União, a UFG ficará inviável, denuncia.

– A paralisação, amanhã, é contra a guilhotina na verba da Educação e em protesto à Reforma da Previdência Social, enviada pelo Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional.

Um dia de greve geral nacional, informa a presidente do PC do B, Isaura Lemos. Da legenda da foice e do martelo. Fundada em fevereiro do ano de 1962. Uma dissidência do PCB. O Partidão. Do Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes. Um colecionador de derrotas nas lutas de classes. Como em 1935, 1947, 1964 e 1981. Já o PC do B adotou a estratégia de luta armada.

Filho de 1968

– O PT convoca a sua militância e recomenda a seus parlamentares e instâncias a estreitar laços de colaboração com esta importante jornada de luta popular.

Membro da Direção Nacional do PT, o economista Markus Sokol, ‘filho legítimo de 1968’, nascido na Polônia e radicado no Brasil, integrante do bloco interno ‘Diálogo Petista’ e da corrente ‘O Trabalho’, a seção brasileira da Quarta Internacional, central mundial da revolução mundial, criada por Leon Trotski, aponta a linha do maior partido de oposição no País.

– Manifestações ocorrerão nas 27 unidades da federação. Com paralisações de universidades e de institutos federais de educação.

Em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, pontua o deputado federal [PT] Rubens Otoni Gomide, das correntes PT Para Vencer e CNB, Construindo um Novo Brasil. A exigência é do cumprimento integral do orçamento-geral da União, com a destinação das verbas, sem cortes, às instituições de ensino superior, para garantir o seu funcionamento, atira.

Ataque à Educação

– Nunca a Educação no Brasil sofreu um ataque tão duro e violento como em 2019.

A declaração é do presidente do Sindicato dos Professores do Estado do Tocantins, Paulo Henrique Costa Mattos, graduado e mestre em História, com curso em Havana, Cuba, a Meca da revolução na América Latina. A retirada de recursos do Fundeb impactará nos salários dos professores, denuncia. A diminuição dos recursos dos IFEs e das IES trarão prejuízos, vocifera.

– A paralisação de amanhã é justa. O Brasil não pode retroagir na área de Educação, da pesquisa e da produção do conhecimento.

Marxista, de linhagem trotskista, o dirigente do PSTU [Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado], da LIT [Liga Internacional dos Trabalhadores], com forte inserção na Argentina, o operário Javan Rodrigues irá às ruas, amanhã. O ato está programado para iniciar-se às 13h. Com saída da Praça Universitária, em Goiânia, às 17h. Em direção à Praça Cívica, avisa o dirigente.

Na contramão

– A ideia é parar Goiânia, Goiás e o Brasil.

Diretor do Sindicato dos Jornalistas, Luiz Cláudio, servidor da área de imagens da Agência Brasil Central, a ABC, um homem gauche, anuncia o ato de protesto da sociedade civil, para mostrar à opinião pública, que o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro [PSL], executa políticas públicas para a área de Educação e o Ensino Superior na contramão da modernidade.

– Os cortes afetam tanto a Educação Básica quanto o futuro da Ciência e da Tecnologia.

É o que acredita a vereadora de Goiânia Tatiana Lemos [PC do B]. O projeto do inquilino do Palácio da Alvorado, com a concepção de Estado Mínimo de Paulo Guedes, um adepto dos cânones da Escola de Chicago, dos Estados Unidos das Américas, é acabar com a universidade pública, gratuita e de qualidade, liquidar com o Ciência Sem Fronteiras e a pós-graduação, diz.

– É a greve geral da Educação Pública no Brasil.

O ato é puxado pela CUT, CTB, CNTE, UNE, UBES e pelo Fórum Todos Pela Educação, informa, com exclusividade, o presidente da Central Única dos Trabalhadores, seção de Goiás, o marxista Mauro Rubem de Menezes, ex-vereador e ex-deputado estadual, um sindicalista que se destacou no Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde, o Sindsaúde [GO].

Faca no orçamento

– A greve é nacional e ocuparemos as ruas nos 246 municípios do Estado de Goiás. Contra os cortes promovidos pelo Ministério da Educação e a Reforma da Previdência Social.

Bia de Lima, presidente do Sintego, reclama da faca no orçamento do Fundeb e das universidades federais. A líder sindical cobra ainda o fim da violência nas escolas, públicas e privadas. A sindicalista recorda-se da morte estúpida, no município de Valparaíso, em Goiás, à Região do Entorno do Distrito Federal [DF], do professor Júlio César. Lamentável, emociona-se.

– A paralisação de amanhã é um ato nacional em defesa da Educação Pública.

A mobilização reúne professores e estudantes de todo o País, da rede pública e privada, explica a doutora da Faculdade de Educação, Maria Margarida. Os cortes efetuados, com a Emenda Constitucional 95, provocam um caos no ensino público, explica. Os professores serão prejudicados pela Reforma da Previdência, em tramitação no Congresso Nacional, frisa.

– Educação não é mercadoria. O ato unificado será realizado às 15h. Na Praça Universitária. Com a programação de uma passeata. Com distribuição gratuita de livros.

Passeata e discursos

O presidente da CTB, seção de Goiás, e do Sinpro, Sindicato dos Professores da Rede Privada do Estado, Railton Nascimento, revela o desmonte nacional promovido na Educação. Com avanço de projetos como o ‘Escola Sem Partido’, a campanha contra a suposta ‘Ideologia de Gênero’, ataca. Uma defesa da Educação de Ensino Superior, que não reajusta salários, critica.

– O patronato, em Goiás, não fechou a data-base e a convenção coletiva de trabalho. Para garantir os direitos dos professores e servidores. Um ato ocorrerá na Praça Cívica, às 17h.

Tempo nublado em Brasília

Graduado e mestre em História, o herdeiro de Eric Hobbsbawn, marxista britânico, Tales de Castro, um especialista na Ocupação e Desocupação Violenta, ocorrida em 2005, no Parque Oeste Industrial, uma ferida não cicatrizada no tecido social e na memória política de Goiás, conclama estudantes, professores e trabalhadores para a marcha, às 17h, da Educação.

– Não é hora de cruzarmos os braços. É de sairmos às ruas. Antes que seja tarde e o tempo fique mais nublado em Brasília e no Brasil, um país com desigualdades abissais.




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