Educação sai às ruas. Brasil para e protesta

Estudantes, professores, servidores da Educação condenam corte linear, contingenciamento de verbas e atacam o Programa da União Future-se

Cinco mil em manifestação em Goiânia. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Fortaleza, Recife mobilizam ativistas políticos

 Renato Dias

Contra o corte linear, o contingenciamento de recursos para os ensinos básico, fundamental, médio e superior e em repúdio ao Programa Future-se, que prevê recursos privados nas universidades públicas, o Brasil parou, nesta terça-feira, 13 de agosto de 2019. Em 204 cidades, aponta balanço preliminar da União Nacional dos Estudantes. A projeção é que teriam saído às ruas quase um milhão de pessoas. É o terceiro ato da Educação contra medidas ultraliberais do presidente da República, o capitão reformado, Jair Messias Bolsonaro [PSL-RJ].

– Não à intervenção militar no Poder Civil [É o que dizia um cartaz, em referência à presença de militares em 21 órgãos da União]

Fotos: Vinícius Schimdt e Curt Moraes

A manifestação em Goiânia concentrou-se, às 15h, na Praça Universitária. O espaço público tem uma placa em nome de Honestino Monteiro Guimarães. ex-presidente da UNE, dirigente da Ação Popular Marxista Leninista, a AP-ML. Uma dissidência da Ação Popular, que no ano de 1972 decidiu incorporar-se ao PC do B. A legenda da foice e do martelo, criada em fevereiro de 1962, deflagrava à época a Guerrilha do Araguaia. Milhares de estudantes, secundaristas e universitários, professores da Universidade Federal de Goiás e da PUC [GO] protestaram.

Fotos: Vinícius Schimdt e Curt Moraes

Previdência Social

Trabalhadores rurais sem terras, sem teto, do MST e do MTST, condenaram a aprovação, no Congresso Nacional, da minirreforma trabalhista. A MP irá ampliar a retirada de direitos econômicos, sociais e culturais, como o fim de semana remunerado.  O ministro da Economia, Paulo Guedes, quer desonerar também a folha salarial, aprovar, no Senado da República, a Reforma da Previdência Social, implantar o sistema de capitalização para a aposentadoria, acelerar o Programa de Privatização. Um desmonte do Estado Nacional-Desenvolvimentista.

Bandeiras e faixas das centrais sindicais, como da Central Única dos Trabalhadores, CUT; da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a CTB; da Central Sindical Popular – Conlutas, a CSP – Conlutas eram desfraldas na caminhada. Milhares de pessoas saíram da Praça Universitária, desceram a Avenida Universitária, a Rua 10, passaram na tradicional Praça Cívica, ponto nevrálgico da capital do Estado de Goiás fundada em 1933 por Pedro Ludovico, sob a inspiração na ‘art déco’, projetada pelo arquiteto e urbanista Attílio Correia Lima.

– Unificou, a luta do estudante com a do trabalhador [Uma das palavras de ordem do ato]

Liberdade a Lula!

Partidos política de esquerda e de extrema-esquerda marcaram presença. O PT era hegemônico, em Goiânia. O PC do B mobilizou centenas de militantes políticos. Sindicalistas e intelectuais orgânicos do Psol [Partido Socialismo e Liberdade] discursaram no caminhão com alto-falante e microfone. Ativistas do Partido Comunista Brasileiro, a refundação de 1992, contra o golpe de Roberto Freire, que fundara o PPS, hoje Cidadania, carregavam cartazes, faixas e bandeiras. O PCO defendia a libertação do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

– Liberdade imediata para Lula. Um preso político!

Dirigentes do Partido Comunista Revolucionário [PCR], hoje um braço da Unidade Popular Pelo Socialismo, a UPS, desceram a Avenida Goiás gritando palavras de ordem em defesa da Educação Pública, Gratuita, Universal e de Qualidade, de rejeição à Reforma da Previdência e ao presente de grego, como é rotulada a nova minirreforma trabalhista anunciada pelo Governo Federal. O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, o PSTU, sucessor da Convergência Socialista, de linhagem trotskista, quer greve geral, revolução & o socialismo.

– Nicolás Maduro é um ditador e massacra os trabalhadores da Venezuela.

É o que afirma o advogado e presidente do PSTU, em Goiás, Rubens Donizetti. Reinaldo Pantaleão [Psol], professor de História, caminhava com as madeixas e a extensa barba grisalha. À imagem e semelhança do velho barbudo Karl Marx. Erotides Borges [PT], 71 anos de idade, animado com a vitória da ‘izquierda’ na Argentina, a derrota de Maurício Macri, aliado incondicional, no Cone-Sul, do inquilino do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro, crê no desgaste do novo Governo Federal até dezembro de 2019. O doutor da UFG, Romualdo Pessoa Campos Filho [PC do B] acompanhava o ato de protesto. Mauro Rubem, presidente da CUT, atacava.

Minirreforma trabalhista

– Não podemos engolir a minirreforma trabalhista, nem as mudanças na Previdência Social e jamais os cortes na área de Educação Pública. Muito menos as privatizações.

Sindicalistas, Ricardo Manzi [SindSaúde]; Sulane Dias, ativista no IFG; Bia de Lima, a presidente do Sintego, ex-dirigente da CUT [Goiás]; Walmir Barbosa, historiador marxista [IFG]; Humberto Clímaco, doutor da UFG, integrante da fração interna do PT ‘Diálogo Petista’ e membro da seção brasileira da Quarta Internacional, a central mundial da Revolução, fundada por Liev Davidovich Bronstein, ‘codinome’ Leon Trotsky; assim como Lenine Bueno, ex-preso político e exilado à época da ditadura civil e militar, pisavam em um ritmo de marcha. Contra o Palácio do Planalto e a sua liturgia que professa o credo do Estado Mínimo e do ‘Deus-Mercado’.

– Não passarão!




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