Diretores sabiam de riscos de rompimento em Brumadinho, afirmam funcionários

Funcionários da Vale que estão presos afirmaram, em depoimento, que diretores da mineradora sabiam de problemas na barragem 1, da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que se rompeu em 25 de janeiro.

A produção da TV Globo teve acesso aos depoimentos dos oito funcionários da Vale que estão presos, há 12 dias, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. São quatro gerentes e quatro integrantes de áreas técnicas da empresa investigados no rompimento da barragem de Brumadinho.

Felipe Figueiredo Rocha, engenheiro da mineradora, afirmou que, durante um evento interno, foram apresentados vários possíveis problemas na barragem B1. Disse ainda que os diretores Silmar Silva e Lúcio Cavalli participaram do último dia do painel de especialistas, oportunidade em que era feita uma apresentação resumida dos riscos dos temas abordados.

Felipe citou que, entre os riscos da barragem, as maiores possibilidades eram a liquefação e a erosão interna. Ainda no depoimento, o engenheiro disse que foram apresentados os resultados ao comitê de riscos, comandado pelo diretor executivo, Luciano Siani.

Outro funcionário da Vale que está preso é o gerente executivo Alexandre Campanha. Ele confirmou que Silmar Silva e Lúcio Cavalli participaram do painel e que acredita que os relatórios finais eram encaminhados para Cavalli e diretores operacionais.

Em depoimento, Joaquim Toledo, gerente da Vale que também está preso, afirmou que em 2018 reportou a Silmar Silva sobre a barragem B1, referente à instalação de um dispositivo: o DHP ( drenos horizontais profundos).

A força tarefa que investiga o caso afirma que a Vale tentou acelerar o processo de drenagem instalando os DHP’s. Ainda segundo a investigação, a tarefa foi abortada na instalação do décimo quinto tubo porque os técnicos perceberam que a água estava ficando presa dentro do maciço, em vez de retornar pela abertura.

Autoridades apuraram que havia nascentes acima da barragem e isso pode ter contribuído para gerar a saturação. Segundo os investigadores, equipamentos acusaram volume de água acima do normal.

A Vale declarou que a diretoria está colaborando com as autoridades para esclarecer as causas do rompimento e que a presunção de culpa não pode decorrer apenas do posto que um executivo ocupa na empresa. Além disso, pediu os habeas corpus para os diretores e que os depoimentos dos funcionários não indicam que a Vale soubesse previamente de um cenário de risco iminente na barragem.




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